Lojas do Brasil foram fechadas, após fim de parceria com Grupo Izzo.
Empresa italiana afirma que pós-venda terá solução até o fim de novembro.
Após um final de parceria conturbado no qual o Grupo Izzo, antigo
representante da Ducati no Brasil, fechou as lojas da marca no país sem
prévio aviso,
a fabricante italiana assumiu a operação da marca no Brasil no final de
outubro e tem desafios pela frente. De acordo com a empresa, a Diavel
será o primeiro modelo a ser montado em Manaus, antes as motos chegavam
importadas, e a previsão é de novas concessionárias abertas nos
primeiros meses de 2013.Especializada em motos de luxo que podem custar mais de R$ 70.000, a expectativa da Ducati é que o país seja o 3º mercado da empresa em vendas no mundo. No entanto, muitos clientes ainda sofrem com falta de oficinas para manutenção e motos sem emplacamento.
(Foto: Arquivo pessoal)
“Comprei uma moto que não é minha até hoje”, explica a empresária Elizete Alves, de 48 anos, de Belo Horizonte, referindo-se a sua Diavel, avaliada em cerca de R$ 76.000. Desde que recebeu a moto, em dezembro do ano passado, o Grupo Izzo não entregou a documentação da moto, relata. “Temos diversos amigos na mesma situação”, acrescenta Elizete.
O médico Luiz Cláudio França, 41 anos, de Belo Horizonte, possui duas motos da Ducati, uma Diavel e uma esportiva 1198. “Foram 45 dias para emplacar a Diavel e 4 meses para a 1198”, disse o motociclista. Os problemas para obter a documentação das Ducati no país se tornaram rotineiros, como é possível ver em comentários no site “Reclame Aqui”.
“Em relação às dificuldades de emplacamento e documentação, elas foram causadas por uma prática que, evidentemente, condenamos, mas cuja responsabilidade compete ao antigo distribuidor”, explica Susini.
“Temos uma esperança muito grande de melhorar, com uma operação mais sólida e confiável da Ducati no Brasil”, diz França. Não existem números oficiais sobre quantos motociclistas estão nesta situação. "Acredito que pelo menos uns 50 tenham problemas (de emplacamento), mas não me supreenderia se o número for maior", explica Yrio Azevedo, de 39 anos, empresário e criador do Ducati Clube do Brasil.
"Tenho certeza que uma operação direta será positiva para atender a 6ª maior economia do mundo. Não fazia sentido a desatenção que o nosso mercado, que não para de crescer, tinha", afirma Azevedo.
Direitos do consumidor
De acordo com o Fundação de Proteção e Defesa do Consumidor (Procon-SP), como a Ducati assumiu a operação no país, todos os encargos relacionados a manutenção, garantia, disponibilidade de peças e recalls agora são de responsabilidade da empresa italiana. “Se o Grupo Izzo não tem mais participação, a Ducati tem de arcar com todas as obrigações de pós-vendas”, explica Renan Ferraciolli, assessor chefe do Procon-SP.
Uma das alternativas possíveis é a marca nomear oficinas terceirizadas para fazer as revisões e reparos necessários nas motos. Além disso, os prazos de garantia devem ser estendidos caso o cliente perca a data das revisões. “Se não há estrutura necessária, o cliente não pode perder a garantia”, explica.
Sobre os casos de documentação, a obrigação é do antigo representante, segundo o Procon-SP. “Como foi o Grupo Izzo que emitiu as notas, é sua obrigação entregar a documentação. No entanto, a Ducati também é corresponsável”, disse Ferraciolli.
A entidade informa que qualquer cliente que se sentir lesado, tanto em pós-vendas como documentação, deve procurar o Procon de seu estado ou entrar com ação na Justiça. Dependendo do caso, o dinheiro do bem pode ser revisto e indenizações, solicitadas. De acordo com o Procon, a vendas de produtos zero quilômetro que já possuam financiamento para outro titular é considerado fraude e crime.
| Logo da Ducati na Juscelino Kubitschek foi desfigurado (Foto: Rafael Miotto/G1) |
Problemas mecânicos
Tentando evitar as já conhecidas dificuldades de emplacamento das motos zero quilômetro, o empresário Claudinei Nogueira, 43 anos, também de Belo Horizonte, buscou outra solução. “Me informei sobre os problemas e comprei uma Diavel usada, com 3.900 km, que já estava com documentação e duas revisões feitas. Com 5.000 km, o motor começou a 'bater' e tive de levar até a oficina de São Paulo”, disse Nogueira.
A moto foi deixada na concessionária da Avenida Juscelino Kubistchek, a principal da Ducati, em setembro passado. No mês seguinte, a loja foi fechada e só depois o proprietário da Diavel tomou conhecimento do fato.
| Diavel do empresário Claudinei Nogueira. Vazamento de óleo quase causou acidente (Foto: Arquivo pessoal) |
Recuperou a moto
Desde o começo, o empresário André Franco, de Campinas (SP), teve um “relacionamento difícil” com sua Ducati 848 EVO, avaliada em R$ 48 mil. “Comprei a moto em setembro de 2011, na antiga loja de Campinas, e tive de ir buscá-la em Belo Horizonte. Somente em dezembro o documento estava em meu nome, antes não tinha porque a moto estava alienada, mesmo tendo a pago à vista”, explica Franco, de 34 anos.
A partir daí, o modelo esportivo começou apresentar problemas mecânicos. “Na 1ª revisão na Ducati da JK colocaram um filtro de óleo não autorizado. Isso provocou vazamento e quase caí na estrada. Depois o motor começou a fazer barulho e quase fundiu”, acrescenta. Após o ocorrido, Franco deixou sua moto na loja do Grupo Izzo e, quando voltou, encontrou as portas fechadas. “Foi mais de uma semana para conseguir a moto de volta, mas segue quebrada”, enfatiza.
| Loja da Ducati na Avenida Juscelino Kubitschek, que era a principal do país, foi fechada (Foto: Rafael Miotto/G1) |
Apesar de ainda não haver nenhum serviço de atendimento ao cliente Ducati, por e-mail ou telefone, a empresa diz que já toma as primeiras medidas. “Estamos entrando em contato por telefone com os clientes e vamos resolver a situação”, afirma o diretor-geral.
Planos para o país
Sabendo dos problemas que enfrenta do país, a Ducati planeja uma nova operação focada na assistência técnica. Além de Susini, a fabricante contratou Marco Truzzi, ex-BMW, para a gerência de serviços e pós-vendas. “O Brasil é evidentemente um dos mercados mais importantes para a empresa. Não é difícil acreditar que possa atingir a quarta ou até a terceira posição em termos de participação nas vendas da Ducati no mundo”, diz o diretor.
Esta importância do Brasil para a marca ficou evidente com a vinda do CEO da Ducati, Gabriele Del Torchio, ao país para anunciar a nova fase da empresa. Durante a passagem, Del Torchio elogio o mercado brasileiro e apresentou sua equipe brasileira, que tem Susini no comando.
| Ricardo Susini e Gabriele Del Torchio, em São Paulo, durante anúncio da nova operação (Foto: Divulgação) |
Além da Diavel, a Ducati informa que outros modelos devem ser montados no Amazonas em breve. No entanto, a possibilidade de uma unidade fabril própria da Ducati está descartada a curto prazo. Sobre uma possível participação da Audi, empresa do Grupo Volkswagen, que adquiriu a Ducati este ano, na operação brasileira, Susini é enfático. "Em relação à Audi, não haverá participação direta na operação da Ducati", disse o executivo.
A empresa não possui dados de quantas motos Ducati rodam no Brasil atualmente. Segundo a Federação Nacional dos Distribuidores de Veículos Automotores (Fenabrave), 2011 foi o melhor ano da marca no Brasil, com 688 motos emplacadas.
De acordo com o Ducati Clube do Brasil, o número de motos da fabricante italiana no Brasil ultrapassa 1.000 motos.
Rafael Miotto - G1

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